9 de setembro de 2017

Pré-história do Finanças Cotidianas

No meu último post, divulguei meu patrimônio financeiro, atualmente em R$1.023.414,27. Em fevereiro de 2014, quando comecei a fazer um controle financeiro verdadeiro, eu possuía R$1.350 em Bitcoins, R$4.629 em BOVA11 e R$5.730 em SMALL11. Este foi o momento da minha vida em que descobri informações sobre a Independência Financeira e os conceitos que a sustentam. O primeiro passo foi criar minha própria planilha de Excel para registrar todos os meus gastos e investimentos. Uso esta planilha até hoje, inclusive, apesar dela já ter sofrido diversas modificações (porém mantendo sua essência).

Em outra postagem irei detalhar sobre a era pós fev/2014. Nesta postagem irei falar exclusivamente sobre a era pré fev/2014, também conhecida como a Pré-história do Finanças Cotidianas. 
Finanças Cotidianas antes de fevereiro 2014



É importante vocês entenderem a jornada que percorri para entenderem como cheguei onde estou hoje. Feito isto, podemos então começar a discutir sobre onde quero chegar, meus objetivos financeiros e estratégia para atingi-los. Diversas pessoas que buscam informações em blogs de finanças são iniciantes e as vezes se perdem por quase sempre encontrarem informações que estão muito além do seu conhecimento atual. Quero detalhar minha jornada pelo mundo de finanças o máximo possível, para que qualquer um possa embarcar comigo nessa jornada no ponto em que achar melhor. Vamos lá?

Era uma vez um jovem gafanhoto extremamente curioso, de 19 anos de idade. O ano era 2007 e ele havia recentemente começado a trabalhar numa multinacional, enquanto cursava o primeiro ano do curso de Administração. Por motivos diversos, sendo o principal deles a fluência da língua inglesa, este gafanhoto conseguiu negociar um salário inicial em torno de R$5.000, atuando como Pessoa Jurídica. Este salário pode parecer alto para um gafanhoto tão jovem, porém ele trabalhava desde os 12 anos de idade, quando ainda morava nos EUA, fazendo pequenos trabalhos na vizinhança para juntar dinheiro para comprar video games. O primeiro emprego do gafanhoto no Brasil foi como atendente de call center, ganhando R$900, com 17 anos de idade. Com 19, o gafanhoto estava ganhando R$2.500, por ter crescido dentro da empresa. Foi ai que veio a proposta de trabalhar na multinacional, ganhando R$5.000, devido ao domínio do inglês e por estar cursando faculdade.

Como o gafanhoto morava com os pais, sobrava boa parte destes R$5.000. O gafanhoto nunca havia tido nenhuma instrução sobre finanças pessoais ou investimentos e gastava muito do seu dinheiro com carro, roupas, academia, viagens, etc. Mas mesmo assim, muito dinheiro sobrava, pois o gafanhoto trabalhava o dia todo e estudava a noite toda. Muitos finais de semana eram gastos estudando ou então com a família, fazendo com que o dinheiro sempre sobrasse.

Um dia o gafanhoto ouviu alguns colegas de trabalho falando sobre Bolsa de Valores e a IPO (inauguração de uma ação na Bolsa) de uma empresa. Ele percebeu que não tinha a mínima ideia do que os colegas estavam falando, então ele decidiu ir atrás das informações (lembre-se, o gafanhoto era bastante curioso). Graças ao bom Deus, o ano era 2007 e o gafanhoto tinha acesso literalmente ilimitado a uma infinidade de informações via o Todo Poderoso Google. Foi então que ele iniciou sua busca pelo conhecimento da Bolsa de Valores.

O gafanhoto leu, leu e leu mais um pouco. No final, ele entendeu que a Bolsa era um lugar onde pessoas compravam pedaços simbólicos de empresas, podendo vender posteriormente. O valor da empresa podia aumentar ou diminuir, portanto o pedaço comprado podia valer mais ou menos depois de um tempo. Parecia ser um tipo de aposta legalizada, num país onde aposta era rigidamente ilegal. Outro fator que cativou o gafanhoto era que ele sozinho era responsável pelo sucesso ou fracasso das suas ações. Com muita ambição, pouco conhecimento e zero experiência ou ajuda, o gafanhoto abriu uma conta em uma corretora (Spinelli, para quem gosta de detalhes) e transferiu R$1.000 para começar a brincar na Bolsa.

Como o gafanhoto não entendia nada, ele fez loucuras com seus R$1.000 iniciais, comprando empresas que não conhecia e comprando e vendendo a mesma ação várias vezes no mesmo dia. Ele percebeu, ao observar as mesmas ações por um tempo, que alguns padrões começavam a surgir. Ação que subia muito, tendia a cair muito no dia seguinte. Ação que começava o dia caindo muito, tendia a terminar o dia caindo menos. Logo após a hora do almoço, o mercado costumava acordar e dar um pico, podendo ser um pico negativo ou positivo. Algumas tendências ficaram claras para o gafanhoto e ele começou a gradualmente colocar mais dinheiro na Bolsa.

O gafanhoto tinha algo como R$20.000 na Bolsa quando a mundo explodiu e veio a crise de 2008. Por pura sorte e bondade do destino, os R$20.000 estavam parados na conta, pois o gafanhoto gostava de day trade (comprar e vender no mesmo dia) e havia vendido suas ações antes do mundo desabar. O gafanhoto não entendia nada do que estava acontecendo quando viu seu primeiro circuit breaker, situação que ocorre quando a Bolsa de Valores cai mais de 10% no mesmo dia, impossibilitando a compra e venda de ações por um período de tempo. Ele não entendia como uma empresa podia perder 20% do seu valor no mesmo dia, por algo que estava acontecendo nos EUA. Mas o gafanhoto percebia que quando algo caia muito, geralmente subia muito em seguida, entre outras coisas extremamente estranhas que ocorreram durante a crise de 2008 e o pânico coletivo que a acompanhou.

O gafanhoto continuou suas loucuras de day trade e em 2012, com 22 anos, a crise já havia passado e tudo estava indo bem novamente no mundo. O gafanhoto havia conseguido comprar um veiculo de R$40.000 a vista em 2010 e no início de 2012 estava com R$60.000 na Bolsa. O gafanhoto teve então a brilhante ideia de comprar uma casa e começar sua vida independente dos seus pais. 

Os R$60.000 seriam suficientes para a entrada do apartamento, com o restante sendo financiado em 300 parcelas abusivas de +-R$2.500. O gafanhoto ainda não entendia que financiamento era a pior coisa do mundo. Ele também não entendia que sair da casa dos pais sem motivo também não era muito inteligente. Também não fazia ideia que não era prudente zerar seu dinheiro e ficar sem nenhum Real no banco para desnecessariamente dar entrada numa casa.

Money Money Money
Mas o gafanhoto foi bastante sortudo. Ele continuou empregado e conseguiu continuar pagando todas as suas contas, mesmo morando sozinho e mobiliando uma casa. Porém, agora praticamente não sobrava mais dinheiro no final do mês. Todo o dinheiro era aplicado na casa, nas contas e no dia a dia da sua vida. E assim o gafanhoto continuou nos próximos anos.

Em 2013, com 25 anos, o gafanhoto conheceu a mulher que viria a ser sua esposa no ano seguinte. Em 2014 o gafanhoto recebeu uma oferta de emprego que superou todos os seus sonhos. No emprego em que estava, o gafanhoto estava ganhando R$8.000. Ele nunca havia recebido um aumento nos 7 anos de trabalho. Apesar de sempre se dedicar o máximo possível e ter até recebido duas promoções, nunca houve aumento salarial, devido as palhaçadas corporativas, como RH congelado, orçamento da região baixo, outro maldito empregado em situação ainda pior que a dele, etc. A proposta que o gafanhoto recebeu da nova empresa duplicou seu salário, totalizando R$16.000. Não precisa nem dizer que o gafanhoto aceitou a proposta. Finalmente começaria a sobrar dinheiro novamente para o desbravador e indomável gafanhoto, certo? Errado!

O gafanhoto ficou noivo e começou a planejar o casamento com sua noiva. Como todos sabem, a indústria do casamento não suga apenas sua alma, mas também todo seu dinheiro. Você quer um fotógrafo? Ok, legal, custa R$300. Você quer um fotógrafo para seu casamento? Ahhh, peraí... neste caso custa R$3.000. Isso não é exagero. É exatamente assim que funciona a indústria do casamento. Então, o gafanhoto casou em 2014, podendo guardar muito pouco do que ganhava, e ainda sem muita noção sobre finanças pessoais. É ai que chegamos nos R$11.709,60 que o gafanhoto possuía em fevereiro de 2014.

Na próxima postagem estaremos prontos para analisar os ativos atualmente na minha carteira, agora que vocês conhecem a minha jornada até o momento em que acordei para o mundo de finanças pessoais.

10 comentários:

  1. Muito legal a sua forma de relatar a sua trajetória,

    E os desenhos são muito bons. Estou acompanhando o seu blog. Te desejo sucesso na sua trajetória

    Abraço

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    1. Obrigado, Aportador! Tento sempre manter um tom leve.
      Estou acompanhando o seu tambem!

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  2. Muito legal, ter contado a sua historia

    Foi ótimo ter melhorado e aprendido com o erros iniciais

    Abraço e bons investimentos

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    1. É isso ai! O que vale é sempre evoluir!

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  3. Adorei seu blog!!!! Morei nos EUA por 5 anos com meus pais quando era criança. Tenho muitas saudades de la!! Vou te acompanhar amigo!!! Abraço

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    1. Valeu Gari! Eu passei quase 10 anos lá, imerso na cultura americana. Foi uma baita experiência de vida. Ainda detalharei sobre isto em postagens futuras.
      Estou te acompanhando também!

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  4. O bom de vim de familia rica é que pode ir pros EUA e ficar lá tranquilamente.
    Qual seu salario atualmente? com certeza deve ser mais de 25 mil né?

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    1. Talvez eu faça uma postagem no futuro sobre a história da minha família. Resumindo bastante, meus pais nasceram na periferia de São Paulo, entre muitos irmãos. Graças a Deus eles tiveram a cabeça no lugar e se encontraram ainda jovens. Casaram com 20 anos de idade e trabalharam e estudaram muito para poder me ter quando tinham 25 anos. Eventualmente conseguiram sair da periferia e romperam a barreira da classe baixa, integrando a classe média brasileira.
      Nossa ida aos EUA não foi tranquila e eles trabalharam por muitos anos 7 dias por semana, sendo que muitos dele a jornada de trabalho começava às 07:30 e terminava apenas 22:00.
      Minha sorte na vida não foi ter berço de ouro, mas sim ter pais responsáveis, amigos e batalhadores. Foi realmente um privilégio pelo qual serei eternamente grato.
      Meu primeiro trabalho foi com 12 anos la nos EUA ainda. Ganhava 25 dolares para fazer bicos meio período na vizinhança. Meu primeiro trabalho no Brasil, como expliquei nessa minha postagem, foi como atendente de call center, ganhando R$900.
      Estudei muito e me dediquei ao meu trabalho, dia após dia, incluindo muitas noites e finais de semana para chegar onde estou hoje, com um salário de R$20 mil.
      Na vida, o "eu" do presente está sempre colhendo o que o "eu" do passado plantou. Desde adolescente eu escolho a dedo cada semente que planto. Os frutos tem valido a pena.

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  5. Respostas
    1. Obrigado Major!
      Fique ligado, pois em breve farei postagens sobre morar fora do Brasil.

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